Suitcase Of Memories

These are the seasons of emotion, and like the winds they rise and fall...

Mais um se passou, e claro, com muita música! Sempre que há a oportunidade de assistir em carne e osso aquela banda ou artista que me acompanha todos os dias no fone de ouvido, lá estou eu. Então, um pouquinho dos shows de 2009:


Agua de Annique - 7 de Março (Hangar 110)

Claro que eu não poderia perder a oportunidade de ver a Anneke mais uma vez, mesmo que não seja mais com o Gathering, e mesmo sendo num pardieiro como o Hangar. Deve ser crise das produtoras, porque ultimamente os shows têm acontecido em cada lugar... É um pouco triste porque parece descaso com as bandas, mas o que importa é ver a banda. E que elas continuem voltando...
E aquele lugar cresceu tanto quando a "pimentinha" subiu ao palco minúsculo, mas suficiente para ela pular e agitar todo mundo. Por ter apenas um álbum com o Agua ('In Your Room' saiu este ano), ela tocou praticamente o "Air" inteiro, e ainda mandou coisas do Gathering ("Alone", que naquele momento me fez pular e sentir um nó na garganta inesperado, e "My Electricity", que incrivelmente conseguiu soar mais solene e cativante!). Sem falar da versão de "Scorpion Flower" do Moonspell, que conta com a participação da Anneke, mas que curiosamente não perdeu o peso com o violão. Anneke é mágica! "Lost And Found" pra mim era uma das mais esperadas, e simplesmente não me importo se pareço uma boba cantando e chorando, mas a emoção de ouvir uma música que tanto gostamos ao vivo, é única. Assim como a Anneke! Ela com certeza não é daquelas vocalistas que é apenas a voz, mas também a alma da banda. Definitivamente é a vocalista mais cativante, simpática, efusiva que já vi. A energia dela é realmente contagiante, e naqueles 75 minutos de show, não importou a má estrutura do lugar, ou a pobre ventilação. Sem falar na competência dela, seja ao vivo, seja no estúdio, seja no The Gathering, no Agua de Annique, ou em projetos com Ayreon, Moonspell, Within Temptation, ou qualquer coisa que ela faça. Fiquei feliz de poder ver uma de minhas artistas favoritas ao vivo novamente. E de novo, tão pertinho!



Fonte fotos: http://www.flickr.com/photos/eduguimaraes/3343417376/



Keane - 10 de Março (Credicard Hall)


Esse era um show que talvez eu não esperasse tanto, mas que me diverti muito! Keane é uma banda que gosto muito de ouvir toda vez que toca, mas não sou de ouvir tanto. Mas foi um bom show, um pouco apertado para uma terça-feira, sem falar na banda de abertura...
Foi uma boa surpresa: a banda é muito boa ao vivo, mesmo sendo um trio, e sem guitarra. Uma vez ou outra, o Tom Chaplin tocava violão, e para a turnê eles incluiram um baixista também. A banda é bem animada e legal de se ver e ouvir ao vivo. De novo, acabei deixando a emoção falar mais alto, bem no comecinho do show, quando tocaram "Everybody's Changing", que era uma das minhas exigências. Bom, algumas músicas são mais especiais que outras...
O que me animou bastante também é que eles não esqueceram de nada. Tocaram músicas do 'Hopes And Fears', algumas de 'Under The Iron Sea', que na minha opinião não é lá grande coisa, mas tocaram a melhor deste, "Nothing In My Way", e obviamente algumas do novo 'Perfect Symmetry'. Claro que o Credicard inteirou cantou "Somewhere Only We Know", um daqueles momentos em que ouvimos mais o público do que a banda em si. Momentos que só os shows podem proporcionar!
No finalzinho, fizeram cover de "Under Pressure", que ficou bem melhor ao vivo que na versão de estúdio. Sim, é uma missão quase impossível cantar à altura de Freddie Mercury, mas a versão do Keane ficou bem simpática. E eu achava que nunca ouviria essa música ao vivo (bem, teoricamente com o Queen, não...), então foi um momento especial. No geral, uma ótima surpresa!


Iron Maiden - 15 de Março (Autódromo de Interlagos)


Bem, não dá pra falar qualquer coisa de uma das primeiras bandas de Metal que conheci, ou seja, há longínquos 13 anos, e que já foi uma das preferidas, de ouvir todo dia, toda hora. Desde então, deu tempo de crescer e conhecer muitas outras bandas e variedades, mas não me conformava como eu nunca tinha visto o Iron ao vivo. Ano passado eu bem que tentei, mas os ingressos acabaram em 3 dias, e eu ainda não tinha percebido o frenesi da compra de ingressos- não existe mais tempo de pensar duas vezes. Piscou, fica sem.

Bom, dessa vez eu garanti o meu correndo, e já estava com um pé atrás. Nunca tinha ouvido falar na produtora, não dava pra saber o quão confiável era a compra pela internet até o ingresso chegar em casa. E um show no autódromo? Como ia ser a estrutura disso? Mas pensando na grandiosidade da banda, achei que poderíamos esperar o mínimo.
É impossível não falar desse show sem falar da infra-estrutura, que não existiu. Primeiro, quando cheguei em Interlagos, me assustei com o número de pessoas. Nem procissão para Aparecida deve ter tanta gente como tinha naquele mar de pessoas. Já comecei a pensar que a produtora tinha vendido mais ingresso do que deveria...

Quando consegui entrar, já estava escuro, e a iluminação do autódromo não era das melhores. Vimos um vazio, que realmente estava estranho, já que havia tantos lugares totalmente preenchidos, com pessoas se espremendo antes mesmo do show começar. Corremos pra lá é... BLOSH. Afundei o pé na lama, literalmente. E o calcanhar, a canela... Aí começou a tragédia, afinal, quem mandou ir de Melissa pro show?
Achar um bom lugar (entenda-se por conseguir manter-se em pé em meio àquele lamaçal), era praticamente impossível. Tentamos por ali, por aqui... E era tanta, tanta gente. E as pessoas continuavam entrando... Lugares mais ou menos, não dava pra enxergar o palco. Foi aí que surgiu a alternativa: Run To The Hills.
Claro que não foi problema nenhum subir na grama, com lama, mas chegamos (alguns, não sem antes tomar uns tombinhos =D). O lugar era até razoável, dava pra enxergar o palco, e estávamos relativamente secos. O problema é que o show não começava nunca, porque a própria banda queria que todos pudessem entrar, afinal a chuva tinha atrapalhado a vida de muitos. O problema é que era muita gente pra entrar. Eu fiquei impressionada quando vi do alto aquele autódromo. Se caísse uma bomba atômica ali, só restariam pagodeiros em São Paulo (e provavelmente em outras regiões do Brasil e quem sabe de outros países), porque todos os seguidores do Deus Metal estavam ali, religiosamente. E o lugar que era relativamente confortável, lotou e era quase impossível de se mexer. Começamos a contar: deveria ter umas 40 mil pessoas quando entramos. Passado um tempo, já deveria ter umas 60 mil, fácil. Na hora do show, umas 100 mil, constatado pelo próprio Bruce Dickinson, um recorde para o Iron. E parecia que não parava de entrar gente durante o show. A produção diz 63 mil, que provavelmente é o número de pessoas que o show deveria comportar.
Quando o show finalmente começou, veio a maior decepção: alguém poderia ligar o som? O autódromo poderia até comportar aquele tanto de gente, só esqueceram de espalhar umas caixas de som em pontos estratégicos. Eu realmente não me importo tanto se fico longe, se não enxergo tão bem o palco, porque o que importa pra mim é o som. E pra ajudar, o telão não estava funcionando.
Juro que tentava ignorar todos os problemas, quando eles abriram com "Aces High". Ao resgatar todos os acordes e letras, na minha distante adolescência,  não posso dizer que a lama ou excesso de braços e cabeças atrapalhou. Sim, a energia do Iron é incrível. Afinal, há quanto tempo eu não sonhava em vê-los? Ver Bruce Dickinson cantando e gesticulando em sua perfomance única como tem feito há anos, ver Steve Harris tocando baixo como só ele toca, e presenciar Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers no mesmo palco, foi aí que a ficha caiu. Eu nem posso dizer que enxergava o Nicko McBrain porque até quem estava perto provavelmente não o vê atrás da monstruosa bateria, mas só de saber que ele estava lá, a magia dos shows tomou conta. Até ver o Eddie, um boneco gigante meio tosco, foi surreal.
O set list pra mim, não poderia ser melhor, já que ainda prefiro a fase antiga à nova. Surpresa foi ouvir "Wratchild" na voz do Bruce. A comoção foi geral em "Wasted Years", que não poderia ficar de fora. Depois de "Powerslave", "Fear Of The Dark", "The Number Of The Beast", "The Evil That Men Do" e mais outras, comecei a torcer para ouvir muitas outras. Pra uma banda de tantos anos e tantos discos, é claro que muita coisa fica de fora, mas a impressão ao final do show, é que estávamos apenas aquecendo... Foi um show que a desorganização marcou demais, mas a competência da banda, a parafernália que eles trouxeram (palco revisitando cada época, Eddie...) e o  fator, 'bem, era o Iron Maiden!', amenizaram um pouco a confusão e a dificuldade para ver um show que não foi barato.
Mas chegara a hora do pesadelo: ir embora. Como desovar 100 mil pessoas praticamente por DUAS saídas? Sem contar nos obstáculos pelo caminho. Descer do morro foi fácil, o problema era encontrar espaço pra se alocar, já que a Física ensina que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Daí, foi uma guerra. A luz não ajudava, era empurra daqui, gente gritando, seguranças e bombeiros palermas que só faltavam bater nas pessoas porque elas queriam ir embora, só dificultando a vida de todo mundo. Me senti na guerra: pulando os guard rails, que pareciam verdadeiras trincheiras. Enfim, um parto. Claro que o show e toda a aventura tinha sido bom, mas se em 2011 o show for em Interlagos, eu passo. Bom, já posso dizer como é Woodstock de uma banda só.



Andrea Bocelli - 21 de Abril (Parque da Independência, Ipiranga)




Imagina se eu peguei trauma de multidões depois do show do Iron. Um mês depois, lá estou eu em um show gratuito, que a gente nem espera que vá muita gente, mesmo...
E de novo, a terra da garoa fazia jus ao nome, pra dar aquela animada, mas me mantive firme e forte. Infelizmente não haveria outras apresentações, então era isso ou nada. Claro que o show atraiu muita gente, até mesmo quem não sabia quem era o Bocelli e foi para ver a Ivete, ainda mais com o Faustão divulgando... Mas o que é bom, tem que ser mesmo divulgado para que todo mundo possa conhecer e ter acesso.
O único problema é que a maioria não tem muita noção, conversa demais durante o show, e o falatório muitas vezes era mais alto que a orquestra. As palmas fora de hora, então... Mas no geral foi uma apresentação agradável,  com um repertório entre o erudito e clássicos mais conhecidos como "Funiculi, Funiculá" (e todo mundo pulando), o que se espera do pop opera, e uma surpresa no bis: "Nessum Dorma" de Puccini! Mas Pavarotti ainda é imbatível. Uma boa tarde de domingo.


Bittencourt Project - 23 de Julho (Manifesto)


Há um ano, eu estava falando da genialidade deste projeto e o quanto eu tinha gostado. Pra ir a um show em plena quinta-feira, com certeza não é qualquer banda que faz valer a pena o processo zombie no dia seguinte.
A banda de abertura foi um pouco cansativa: o estilo nada tinha a ver com BP, não se ouvia a voz, era um tanto boring. Só acordei mesmo ao reconhecer os riffs de "Stockholm Syndrome" do Muse, que também não ficou lá essas coisas.

Quando o BP subiu ao palco, vimos a banda colocando o set no chão, afinando, arrumando... Tudo como uma banda que costuma tocar no Manifesto. Mas quando começaram a tocar, não soaram nem um pouco amadores. Achei interessante que algumas bases do CD na verdade eram feitas no violino elétrico do Amon Lima. Foi bem legal cantar bem alto junto com o Rafael, que se mostrou super simpático e acessível, gostando de ouvir os fãs cantando junto. Algumas não ficaram tão boas quanto as de estúdio - "Nightfly", que pra mim era a mais esperada, perdeu um pouco o brilho - mas outras soaram impecáveis. A banda ainda teve tempo
de brincar com "Billy Jean" em 'homenagem' ao MJ, e mandar "Pegasus Fantasy" - só o instrumental, afinal o Falaschito não estava por lá... De covers, "Wasted Years" e "Perry Mason", que ficaram interessantes.
É uma banda que com certeza irei em mais shows. Pena que ainda tem a cara de projeto e não de banda, mas espero que continuem crescendo e ganhando reconhecimento por onde passam. Altamente recomendável!


Nota mental: ainda terei esse violino!


Primal Fear - 9 de Agosto (Carioca Club)


Voltando ao assunto "lugares improváveis", achei que tinha errado de lugar quando cheguei ao tal Carioca Club pra comprar o ingresso. Parecia mais um Vila Country, só que para pagodeiros. Hum, ok. Deu pra notar esse ano que as produtoras não estão com a bola toda, então o jeito é torcer para o lugar ter um som bom e um espaço adequado, o que era o caso do Carioca Club (só aquela decoração nada a ver, mas isso é detalhe). O som era razoável, a impressão que tinha é que a casa nunca tinha presenciado um bumbo duplo na vida, e que iria vir abaixo a qualquer momento. Mas conforme o show foi passando, o som foi ajustado e ficou tudo ok.
Uma das bandas de abertura era o Sinner, que faz a linha hard rock meio farofa, mas deu pra divertir. O Matt Sinner é um cara realmente carismástico, mas eu queria mesmo vê-lo com o Primal Fear.
Ao entrar com "Under The Radar", o mic do Ralf Scheepers ainda não estava muito bom (deu pra notar ele torcendo o nariz, porque apesar dele ser um grande vocalista, cantar gritando daquele jeito ele não iria longe).
Apesar do empurra-empurra, deu pra conferir bem de pertinho. Aliás, esse foi o primeiro show em muitos, que sofri com uns tontos tentando fazer rodinhas. Fazia muito tempo que eu não via isso em show de metal, não desse jeito. Mas nada que uns tapas nas crianças não resolvesse. =P
Pra mim, o show já valeu com a pena com "Sign Of Fear","Seven Seals" e "Fighting The Darkness" (inteirinha!), que são músicas que realmente me empolgam, mas houve até momento banquinho para "Hands Of Time". É até uma balada boa, mas PF é melhor mesmo fazendo o de sempre, metal.
Um dos bons momentos do show, também foi o duelo de guitarras entre os dois guitarristas. Infelizmente o Magnus Karlsson não veio ao Brasil, mas foi bem substituído. O show mais 'true' do ano!


Sarah Brightman - 20 de Outubro (Credicard Hall)


A Sarah Brightman já bate cartão no Brasil, mas eu nunca tive tanta vontade de vê-la ao vivo como tive dessa vez, depois do álbum Symphony. Com certeza é um álbum diferente dos outros, com uma levada até mesmo de metal, como em "Fleurs du Mal" (que abriu o show em SP), que lembra um Within Temptation ou qualquer banda de symphonic metal. Sem falar no cover da versão do Nightwish para "Phantom Of The Opera" no DVD! É, isso mesmo, cover do cover da música que ela mesma interpreta originalmente. Isso não deixou dúvidas de que ela anda curtindo um metal.
O que me surpreendeu logo de cara foi a pequena orquestra. Que bom que deixaram os samples de lado, e talvez justifique um pouco o preço tão salgado do ingresso. Tive que escolher o setor mais em conta, que desfavorece um pouco a visão, e ainda por cima, os telões do Credicard infelizmente não estavam funcionando.Mas o som não estava prejudicado.
A Sarah Brightman também faz a linha pop opera, mas sempre foi bem agradável, e sempre gostei de todas as versões dela. Mas achei que ela estava um pouco canastrona: a maioria do set list se baseou em versões, deixando de fora as de sua composição. Não posso dizer que "A Whiter Shade Of Pale", "Dust In The Wind", "Nella Fantasia", "Scarborough Fair", "Who Wants To Live Forever" deixaram a desejar, mas queria ter escutado muitas outras. Mas ela fez um show até longo, passando por cada fase de sua carreira, com direito a troca de roupa a praticamente cada mudança de fase. Para quem estava mais perto, as roupas eram um show à parte.
Não esperava que ela trouxesse a tiracolo o Fernando Lima, com quem cantou "Pasion", do último álbum, o que foi uma boa surpresa. Só não gostei muito do tenor, que achei um pouco fraco. Senti falta de "I Will Be With You (Where The Lost Ones Go)", que ela poderia ter trocado com "Hijo de La Luna" ou mesmo "Nessum Dorma". Não dá pra criticar a performance dela nessa música, mas como disse lá em cima, só o Pavarotti, por enquanto.
A relação pop opera se manifestou em "The Phantom Of The Opera": muitas palmas e gritinhos, o público cantando junto... Pra variar, bem diferente do que vemos lá fora. :)
No geral, um show agradável, de cantar de cabo a rabo, o som estava muito bom com a orquestra e a banda também não deixou a desejar. O show que fechou o ano pra mim, porque o bolso já foi bem desfalcado, e o último que valeu a pena.
 Mas 2010 promete. Ano que vem espero falar de um dos shows mais esperados da minha vida, que já tem data marcada e ingresso na mão. E continuo torcendo para que as bandas continuem voltando, e as que nunca pisaram aqui venham fazer minha alegria. :)


85. Pain Of Salvation - Undertow



Pain Of Salvation é uma das bandas que mais gostei de ver e ouvir ao vivo, pois conferi ali diante dos meus olhos, toda energia e intensidade que algumas de suas músicas me transmite.
Undertow é uma delas: intensa, uma pancada, um urro, um soco no peito. Mas não feita pra derrubar, e sim pra levantar. É a sensação de dar a cara ao tapa, de enfrentar a realidade, de crescer. Crescer! De viver e deixar viver.
Daniel Gildenlöw, multi-instrumentista e compositor, admirável e super simpático =), descreveu a música:
"This is one of the darkest songs of the album. It is simple in structure but complex in emotion. We are trying to build a card house starting with apathy, going over a spectra of sadness, yearning, reconciliation and anger, to cross the line of hysteria back into apathy - constantly with the same main message; let me go. It is a blend of monologue and dialog in a shattered relationship. We are now starting to find out why we start off in Budapest."



Aqui, deixo minha versão favorita, do acústico 12:5. É a mais intensa de todas. ;-)





Mas essa versão ao vivo também vale a pena:



"Let me go
Let me go
Let me seek the answer that I need to know
Let me find a way
Let me walk away
Through the Undertow
Please let me go


Let me fly
Let me fly
Let me rise against that blood-red velvet sky
Let me chase it all
Break my wings and fall
Probably survive
So let me fly
Let me fly...


Let me run
Let me run
Let me ride the crest of chance into the sun
You were always there
But you may lose me here
Now love me if you dare
And let me run


I'm alive and I am true to my heart now - I am I,
but why must truth always make me die?


Let me break!
Let me bleed!
Let me tear myself apart I need to breathe!
Let me lose my way!
Let me walk astray!
Maybe to proceed...
Just let me bleed!


Let me drain!
Let me die!
Let me break the things I love, I need to cry!
Let me burn it all!
Let me take my fall!
Through the cleansing fire!
Now let me die!
Let me die...


Let me out
Let me fade into that pitch-black velvet night..."



#85. Pain Of Salvation - Undertow
Álbum: Remedy Lane [2002] and 12:5 (Acoustic) [2004]
Composição: Daniel Gildenlöw



A polidez de um tolo não passa de sujeiras transmitidas em palavras bonitas.


Pobre do tolo, que crê piamente em sua sabedoria de esquina,



Que acredita mais no lugar comum à exuberância da vida.



A pseudo-elegância, o pseudo-conhecimento que cega o pobre tolo,



Não enxerga um palmo a sua frente, deixa sua ignorância levá-lo ao topo



Onde só faz tipo, pose, e não percebe que não chega a lugar algum,



Apenas afunda cada vez mais, na lama imoral dentro de um poço fraudulento,



Que é a mente do pequeno tolo incapaz de sonhar em ser grande.



Pobre do tolo! Queria ser Rei mas lhe restou ser Bobo da Corte.

Os Três Mal Amados


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.



~ João Cabral de Melo Neto

86. Utada Hikaru - Flavor Of Life

Eu nunca fui fã de J-Pops, na verdade eu nunca dei bola at all. Nunca achei legal aquelas baladinhas com aquela voz fininha e meio annoying, e pois é, eu sou uma japonesa do Paraguai.
Só que quando você está lá, do outro lado do mundo, e respira outros ares, percebe que existe coisa boa também.
Se bem que a Utada Hikaru não segue tanto a mesma linha da maioria das cantoras J-Pop. Essa música é um exemplo. Dá pra notar que ela sabe cantar, de forma agradável. Ouvi até enjoar pelos 3 meses em que estive por lá, pois era uma febre, então ela foi trilha sonora de um momento importante. Traz boas lembranças, outras nem tanto... Mas as boas sempre prevalecem.


Pra quem também não é muito chegado em J-Pop, essa eu recomendo fortemente. Essa é a ~ballad version~.





"Tomodachi demo koibito demo nai chuukan chiten de
Shuukaku no hi wo yumemiteru aoi furu-tsu
Ato ippo ga fumidasenai sei de
Jirettai no nannotte ba
 
Daiyamondo yorimo yawarakakute atatakana mirai

Teni shitai yo kagiri aru jikan wo kimi to sugoshitai
"arigatou" to kimi ni iwareru to nandaka setsunai
Sayounara no ato mo tokenu mahou awaku horonigai
The flavor of life..."


#86. Utada Hikaru - Flavor Of Life~ballad version~
Álbum: Flavor Of Life (single) [2007]
Composição: Utada Hikaru

Já tive um professor de Física que dava aulas sobre Led Zeppelin, Black Sabbath e como invocar o demo seguindo lições de Aleister Crowley. A Física ele deixava sempre pra próxima aula.

Já tive um professor de Geografia que inspirava todos a votarem nele se um dia ele se tornasse político, mas ele era utópico demais pra isso. Ensinava a acreditar em caráter e boa vontade.

Já tive um professor de Educação Artística que só falava em escalas musicais e como Goya o inspirava, inspirando também quem estava ao redor. Traçados geométricos, pra quê? Fazia me sentir em casa, lembrando da beleza que costuma passar tão batida às vezes, ou que muitos não entendem.

Já tive uma professora na terceira série tão megera, que um dia eu quis ser professora, só pra não ser daquele jeito.

Já tive um professor de Química que tentava ensinar fazendo os alunos pensarem o que havia no lado escuro da Lua.

Já tive professor que me fez pensar, "quero ser assim quando crescer" - e eu já tinha 22 anos.

Já tive que ensinar um professor. (e ele era mestre nisso)

Já tive professor que me dava pesadelos.

Já tive (muitos) professores que não eram professores.

Mas nunca vou esquecer da minha professora Isabel, do pré-escolar. Todo dia 15/10, é ela que vem à minha mente, e por mais que existam registros que conservam fragmentos de memória, é difícil esquecer do que foi ensinado, do que foi aprendido.
Foi quando eu aprendi a ler, escrever, introduzindo um novo mundo inteirinho só pra mim. Mas a maior lição eu nunca esqueço: aprendi que existem verdadeiros anjos conosco. Só nunca entendi porque pessoas tão boas às vezes partem tão cedo. Ainda tenho alguns rabiscos, cadernetas e anotações daquela época; só restou lembranças.
Eu nunca me esqueço, mesmo depois de 19 anos.

Me, myself and I

Minha foto
Amanda N.
Talvez não ser, é ser sem que tu sejas, sem que vás cortando o meio dia com uma flor azul, sem que caminhes mais tarde pela névoa e pelos tijolos, sem essa luz que levas na mão que, talvez, outros não verão dourada, que talvez ninguém soube que crescia como a origem vermelha da rosa, sem que sejas, enfim, sem que viesses brusca, incitante conhecer a minha vida, rajada de roseira, trigo do vento, E desde então, sou porque tu és E desde então és sou e somos... E por amor Serei... Serás...Seremos...
Visualizar meu perfil completo